Uma grande cidade como São Paulo caberia num bairro do Rio? Como na ficção tudo é possível, as equipes de cenografia e produção de arte de “Tempos modernos” receberam a missão de trazer parte do centro de São Paulo para a Central Globo de Produção, em Jacarepaguá. A cidade cenográfica, construída numa área de sete mil metros quadrados no Projac, tem o desafio de reproduzir lugares históricos como o Vale do Anhangabaú e a Avenida São João (leia mais ao lado). O recurso do Digital Backlot foi utilizado para projetar imagens reais captadas na cidade.
— Durante 20 dias, gravamos tomadas bem abertas em São Paulo. Com o Backlot, podemos duplicar as imagens — explica o diretor José Luiz Villamarin: — Esse é um recurso que a gente começou a utilizar em 2007, em “Paraíso tropical”, e serve para dar profundidade às cenas.
Na famosa Avenida São João fica a Galeria, inspirada na Galeria do Rock, um dos espaços mais visitados do centro de São Paulo. O cenário tem 36 metros de extensão e 18 metros de largura, três andares e 30 lojas. Já o Titã seguiu à risca a arquitetura da fachada do cenário original, o Edifício Grande São Paulo, erguido na década de 70. Nenhum detalhe foi esquecido.
— O desafio foi reproduzir tudo numa escala menor, mantendo as proporções. Nas calçadas, desgastamos as pedras portuguesas e encomendamos bueiros iguais aos que são usados nas ruas. Até os cartazes rasgados nos postes foram preservados — revela o cenógrafo Fábio Rangel.
O capítulo de estreia da novela "Tempos modernos", da "TV Globo", começou com uma aura futurista. Leal, personagem de Antônio Fagundes, saiu do último andar de um prédio e andou por São Paulo. Uma tempestade parecia estar chegando à cidade.
Leal segue andando, preocupado, objetos começam a voar, começa uma catástrofe, a cidade vai sendo destruída.
De repente, o homem acorda e, desesperado, procura a filha.
Em seguida, a cidade de São Paulo é apresentada. Aparecem várias imagens de metrô, ônibus, diferentes estilos de pessoas, arranha-céus.
Em um prédio moderno, Doutor Budanski (Otávio Muller) apresenta o império de Leal a investidores russos, que estão lá para conhecer o novo investimento do empresário - o "Titã 2".
Albano (Guilherme Weber), chefe de segurança, conta que ele controla tudo o que acontece no edifício através de um moderno sistema. O computador que concentra todas essas informações, não é uma máquina qualquer. Ele é batizado de Frank.
Frank fala com Leal, que se assusta e reclama. O computador avisa a ele que suas filhas estão entrando. Regeane (Vivianne Pasmanter) e Goretti (Regiane Alves) disputam a entrada e o que o pai vai vestir. O pai se pergunta onde está a outra filha, para a inauguração de seu novo prédio.
Nelinha (Fernanda Vasconcellos) e Portinho (Felipe Camargo) aparecem no observatório. Neilinha se esquece da festa do pai e sai correndo, dirigindo rápido. Nelinha freia o carro bruscamente. Leal sente que algo de ruim aconteceu com a filha: "Nelinha precisa de mim". As duas irmãs reclamam porque o pai prefere Neilinha.
Pessoal da galeria do prédio onde será construído o "Titã 2" faz uma manifestação para que não ocorra a desapropriação sem o conhecimento dos lojistas. Eles avisam que se o movimento não der certo, vão partir para a violência. Em seguida, que Leal ofereceu uma compensação pequena para que eles saíssem do local. "Aquele cara não tem coração. Ele só pensa nele". Os manifestantes concordam e aplaudem.
Leal continua desesperado e conversa com Frank perguntando onde está Nelinha.A máquina descobre alguma coisa sobre a filha e avisa que o telefone vai tocar. Nelinha avisa nem ela nem Portinho se machucaram, mas o carro ficou destruído. Ela diz que não concorda com a construção, mas vai na festa porque o pai pediu. Ela deixa Portinho preso no carro e pede carona na estrada.
Albano chama Deodora (Grazi Massafera) para a sala de segurança e os dois se beijam. O vilão avisa que vai despachar todas filhas de Leal e que o edifício será dele.
Hélia (Eliane Giardini) pergunta como Leal não pediu permissão aos moradores para fazer a festa do Titã. Os dois discutem e Hélia lembra que nem sempre o empresário foi assim. Sinal de que os dois tiveram um romance no passado.
Nelinha chega e pede para conversar com o pai sobre a galeria. Os dois discutem e Leal ameaça a filha. Faustaço (Otávio Augusto) se mete e fala para os dois pararem de brigar. Ela pede para o pai reconhecer que está errado. A filha fica magoada com a grosseria do pai e sai correndo. Ele lembra "Palavra de rei não volta atrás". Nelinha conta que pode dar um jeito para os manifestantes entrarem no prédio.
Abraozinho (Elias Gleiser) vai falar com Leal e avisa que vai parar de trabalhar. Na hora da despedida, os dois começam a falar do "Titã 2", mas preferem não entrar no assunto para não divergirem.
Frank aparece dando conselhos a Leal. Ele pede para a foto de Hélia ser apagada, mas depois muda de idéia. "Eu não ia esquecer mesmo". Hélia aparece remontando uma foto antiga com Leal.
O magnata chega na festa e descobre que Regeane está noiva de Albano. A contra gosto, Leal dá a ele as boas vindas à família.
Com a festa do novo prédio acontecendo na cobertura, Neilinha aparece em um rapel e coloca uma faixa no prédio com os dizeres: "Salvem a galeria". Os manifestantes comemoram e jornalistas saem correndo para fotografar o ocorrido. Leal acaba ficando orgulhoso da filha por causa de sua atitude de fibra.
A corda de Nelinha rompe e ela fica presa na faixa do protesto. Albano e Deodora se falam para pedir reforço. José (Thiago Rodrigues), filho de Hélia, vê a moça pendurada e quebra o vidro para ajudá-la. Eles discutem. Neilinha é orgulhosa e acha que não precisa de ajuda. Mais uma parte da corda se rompe e ela entra em desespero. José pega sua mão e diz "fica tranquila, eu não vou te largar". Leal entra em pânico.